A Maior Flor do Mundo from Fundação Jose Saramago on Vimeo.
cortesia http://bisleya.blogs.sapo.pt/47671.html
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Pnep - 09 - 10. Espaço de apoio à Formação. José M.F. Marinho.
O ano escolar arranca, mas ainda há tempo para ler e ouvir.
Bom ano de trabalho para todos!
sala de aula
cheguei
abri a porta
entrei
fechei a porta
despi as calças e a camisa
calcei os chinelos
vesti a bata
escura
esfreguei as mãos e a cara
agarrei na vassoura e nos panos do pó
aspirador
isso é que era bom
paninhos
paninhos
estou de preta hoje
não dá para luxos
varri
varri
varri
varri o lixo
o pó foi pelo ar
pela janela
não sei para onde
talvez encontre a chuva
que não vem
e seca as almas
derrete-as
pára
estás de preta hoje
não esqueças
limpei os armários
arrumei os papeis
rasguei os velhos
pedi um saco
negro
corri até ao contentor
atirei-o
fui à retrete
lavei as mãos
a cara
as axilas
abri a porta
voltei
corri
cheguei à sala
olhei
abri a porta
fechei-a
tirei a bata negra
vesti as calças
a camisa
calcei os sapatos
abri a porta
andei
parei
hoje estive de preta
os pretos de pretos
e os brancos de branco
como sempre
conversavam tretas
nem perguntaram
ó preta
precisas de ajuda
e os pretos de preto
e os brancos de branco
como sempre
assim
tal qual
tudo igual
tudo na mesma
já nem sei
se sou branco
se sou preto
ou amarelo
que importa
sou homem
pelo menos tento
e todo o homem que o tente
é meu irmão
saí
fechei a porta
saí
com os passos de sempre
sempre iguais
há mortos
como sempre
e os passos passam por cima dos mortos
como sempre
aqui e ali
uma árvore
trémula
mas árvore
aqui e ali
relva seca
mas relva
aqui e ali
uma flor
tímida
mas flor
diante dela
um banco
vazio
aguarda a nossa fala
e as conversas
impossíveis

Este prémio veio da Fátima de Contracenar e da Bastet http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com
Agradeço a atenção e o carinho.
Transcrevo o texto inerente ao prémio:
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA: “curva geométrica com forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.” Lemniscato: ornado de fitas; Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora).
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente. Texto da editora de “Pérola da cultura”.
Hoje acabou a Formação para este ano lectivo. Acabaram, também hoje, as aulas na escola onde trabalho, com bastante agitação quase festivaleira. Entendo ser em demasia. Os alunos mais agressivos moviam-se entontecidos, quase fora de si, contagiando muitos dos restantes. Fartos de aulas? Fartos de escola? Fartos de carga horária? Alegria algo demencial pela presença, algo bacante, deste início de Verão? Que vai ser deles agora?... Mais rua, mais ATL, mais família, mais calma, mais passeios com os amigos, mais verde, mais mar?... E nós, mais calmos, mais ternos, mais angustiados com a hipótese, mais provável, de
mais do mesmo para o próximo ano?
Para todos,coragem para as burocracias e repouso.
Deixo-vos com estas animações, algo curiosas.
Agradeço este vídeo a Catahrsis.blogspot.com

Actividade com os alunos – 3
1º Ano - turma C
1. Oralidade e Escrita. Texto colectivo – colaborativo.
Objectivos
- Criar um texto colectivo
- Comunicar oralmente e por escrito
- Emitir opiniões sobre o texto escrito
- Intervir oralmente em situações de conversa
- Escandir correctamente as frases de um texto
- Transferir um enunciado oral para a forma de Expressão - Plástica
Material – Quadro, cadernos, giz, lápis, folhas A4, lápis de cor, papel cenário.
2. Desenvolvimento da actividade
Unidade temática: consoante g – leitura e escrita.
Ainda no quadro.
Fase A
10 de Fevereiro – 9 h e 15 m – 10 H e 30 (pausa às 10 para o lanche)
Compreensão oral e escrita
Expressão oral e escrita

Letra de imprensa – “puzzle” de palavras.
1. Vamos fazer um texto em conjunto (colectivo-colaborativo)
2. Chuva de ideias, regulada pelo professor e a turma. Os alunos vão dizendo palavras começadas por g.
2.1. Pede-se aos discentes para criarem uma frase.
2.2. Selecciona-se a melhor para iniciar o texto (professor e turma).
3. Regista-se no quadro.
4. Pede-se que seja continuada, havendo cuidado para que haja sequencialidade, recorrendo à conversação com a classe: expressão e compreensão oral e escrita.
5. O professor pergunta se já escreveram bastante ou não. (Faz-se apelo à consciência da complexidade da extensão sintagmática em demasia, nesta altura do 1º ano.)
6. Lê-se o texto em voz alta, primeiro em conjunto ( turma ).
6.1. Conversa-se sobre o texto (expressão e compreensão oral).
6.2. Lê-se, novamente em colectivo, por filas e grupos de 4.
6.3. Agora, individualmente, de modo aleatório. O professor indica quem lê, com a sua mão, sem dizer o nome do aluno. (Situação de jogo: lê quem estiver em silêncio.) Quando o aluno apresenta dificuldades, passa-se a outro para não haver quebra de ritmo. Tenta-se retomar a leitura por quem não conseguiu, para que não haja frustração.
6.4. Volta a ler-se em conjunto ( turma ).
7. Verifica-se se a pontuação: vírgula e ponto final.
7.1. Verifica-se a ortografia. (O professor erra, propositadamente, algumas palavras – os alunos sabem disso: situação de jogo.)
8. Regista-se no caderno diário.
TEXTO OBTIDO
O galo marca golo e vai para a gaveta. Não gosta de estar lá, ao pé do gato e da gaivota.
Manuscrito ilustrado, já na parede.
Fase B
11 de Fevereiro – 11 h – 12 h
Compreensão oral e escrita
Expressão oral e escrita
Compreensão e expressão gráfica (pictórica)
1. Dois alunos relêem o texto, a partir do caderno, deslocando-se para a frente dos colegas.
2. O professor escreve novamente no quadro.
3. Relê-se em coro – turma.
4. Quantos momentos têm este texto?
5. Vamos passá-lo para desenho. Informa-se os alunos sobre o facto de os mais conseguidos serem digitalizados e publicados num subespaço próprio da classe, no “blog” que acompanha a actividade do professor na Formação.
6. São distribuídas folhas A4, lisas.
6.1. O docente fornece indicações para dividi-las em quatro partes. Executa primeiro, mostrando como se faz. Relaciona com a área de Matemática; convoca a noção de metade e depois 4 partes.
7. Em cada parte exprime, através do desenho, cada momento do texto.
8. Recolhem-se os desenhos e informa-se que, depois do Carnaval, continuar-se-á o trabalho, conversando sobre os mesmos.
Fase C
26 de Fevereiro – 9 h e 15 m
Compreensão oral
Expressão oral
Compreensão escrita
Expressão escrita
O galo sai da gaveta. Algumas palavras.
1. Os alunos mostram os desenhos, passando-os de uns para os outros.
2. Conversa sobre os trabalhos (gostei mais, menos, porquê?)
3. Discutimos se devemos afixar os melhores na parede ou todos.
4. Conforme combinado, o professor propõe que quatro deles sejam escolhidos para serem digitalizados.
5. Num dos momentos TIC, na sala de informática, ver-se-ão os desenhos.
6. Escrita de frases sobre a actividade referida no ponto anterior.
7. Registo no caderno diário.
8. Registo em papel cenário, sempre pelos alunos.
9. Afixar na parede.
O aluno, baniu, por completo qualquer palavra.
3. REFLEXÃO
Consciência e compreensão textual.
Durante esta actividade, evidenciou-se um aspecto sobre o qual tinha reflectido pouco. Os alunos da turma, na sua generalidade, têm uma consciência bastante segura sobre o valor do texto escrito enquanto linguagem autónoma.
Vejamos então. Pedi aos alunos que, se pretendessem, escrevessem legendas no desenho efectuado. Curiosamente, quase nenhum as colocou e quando o fez, notei alguma retracção. Questionei-os sobre essa ausência. Os mais audazes e argutos consideraram não ser preciso porque “se repetia”. Senti alguma perplexidade com a capacidade de compreensão do grau de autonomia das linguagens presentes: a escrita e a pictórica. Talvez essa capacidade de compreensão se deva, em parte, ao facto de o texto pertencer aos próprios alunos, sendo a apropriação do mesmo realizada de um modo mais intenso. Na verdade, como afirma Adriana Cardoso: “Uma das hipóteses que o professor tem disponível para contextualizar as aprendizagens é a de utilizar as próprias produções dos alunos como objecto de reflexão e escrita” (1). Ora, muitas vezes, submersos num quotidiano pedagógico rotineiro e subordinado aos manuais, esquecemo-nos dessa realidade.
Não esperava, então, que alunos de seis anos revelassem tão forte capacidade de compreensão apesar de, quando conversámos sobre quantos momentos tinha o texto, aparecerem justificações como: “a história não acaba aqui”, “se o galo não gosta de estar ao pé do gato e da gaivota, se ele quiser, ele sai da gaveta”. Por isso, no último momento da sequência narrativa do desenho, o galo ou está a sair do lugar ou já está noutro. Como é óbvio, ao ser convocada a linguagem do quotidiano dos alunos, estes reagiram mais espontaneamente. Deste modo, não foi desencadeada “uma ruptura entre escola e realidade” (2). O discente explicitava o seu conhecimento, utilizando a sua “gramática pessoal” e não a que o professor pudesse impor. Estivemos então, alunos e professor, a “tomar un texto soamente como un pretexto” reservando para nós a “autonomia do lector fonte á tirania do autor” (3), mesmo que, neste caso, os autores fossem os próprios alunos, o que não impede que, mesmo usando as nossas próprias construções textuais, não nos tornemos acríticos, sendo incapazes de uma distância face aos mesmos, o que não aconteceu.
Este episódio confirmou-me ainda a razão da reflexão que venho fazendo sobre os manuais. Na maioria dos livros escolares há demasiada e inadequada profusão de imagens, sendo desnecessárias para a compreensão textual. Não é por acaso que, muitas vezes, quando se pergunta, por exemplo, “Qual é a cor do cabelo da personagem X”, responde-se com a cor observada na ilustração. A compreensão é perturbada. Reparemos nesta situação prática. Há pouco tempo, tive, numa turma de 3º ano, um aluno romeno. Indagado sobre o facto de as imagens o ajudarem, respondeu negativamente. Porquê? Já estava habituado a essa ausência nos manuais romenos. Claro que conheço a história política recente desse país, a existência do livro único e da ideologia subjacente, mesmo assim, não deixa de ser revelador.
O discente referido não constitui um caso isolado. Durante a minha actividade profissional, tenho constatado que as crianças, na sua maioria, não estranham textos sem imagens. O aluno, desde que motivado, se tal for necessário, está apto a partir para a compreensão textual sem linguagens subsidiárias. Um texto revela-se a si próprio, possibilitando aos jovens leitores uma leitura mais clara, mais profunda, relacionando melhor a sua história pessoal com as propostas sugeridas pelo texto que lêem. Daí, neste caso, terem percebido perfeitamente que os seus desenhos possibilitavam leituras objectivas, ao nível da sua relação com o texto colectivo, sem frases ou apenas com uma ou outra palavra. Perceberam também que, enquanto autores, exprimindo-se noutra linguagem, poderiam revelar aquilo que o texto não evidenciava; espaço englobante, outras personagens, cores… Desta maneira, exploraram o subtexto inerente àquele que leram. Não esqueçamos que o leitor é sempre um co-autor; o seu pensamento, a sua mundividência e a sua imaginação são convocados no acto de ler.
(1) - Cardoso, A. (2008). "Desenvolver Competências de Análise Linguística". In Desenvolver Competências em Língua Portuguesa (p. 159). Otília Sousa e Adriana Cardoso (Eds.). Lisboa: Centro Interdisciplinar de Estudos Educacionais da Escola Superior de Educação de Lisboa. 1ª ed. Novembro
(2) – ibidem, p. 137 -138(3) - Yáñez, A. Suarez, (2008). "A Língua no Primeiro Ciclo (6-10 anos). Algunhas Cuestions Consideradas Críticas". In Desenvolver Competências em Língua Portuguesa(p. 92). Otília Sousa e Adriana Cardoso (Eds). Lisboa: Centro Interdisciplinar de Estudos Educacionais da Escola Superior de Educação de Lisboa. 1ª ed. Novembro
Na sequência final, o galo nem aparece
José Marinho
Março. 2009
Registo no quadro
O Jogo do eco
“As crianças formam duas equipas; a das sílabas fortes e a das sílabas fracas. Quando o professor lê uma palavra (dissílabos), a primeira equipa repete a sílaba acentuada (forte) e a segunda equipa repete a sílaba átona (fraca)." (1)
Objectivos
Desenvolver a capacidade de identificação da sílaba tónica.
Desenvolver a capacidade de distinção entre sílabas tónicas e sílabas átonas.
Materiais: Lista de palavras. (adaptada às necessidades da programação)
copo - capa - cola - pote - popó - laca - papá - dedo - pato - pata - dado - lata
Unidade temática: leitura e escrita de fonemas ( p – c – d )
Descrição da actividade
"Professor: Etapa 1 - 'vamos brincar ao jogo do eco; depois de eu dizer uma palavra, vamos repetir apenas o bocadinho mais forte!’
O professor exemplifica com uma palavra, enfatizando, na produção, a sílaba acentuada. As crianças repetem essa sílaba.
Professor: Etapa 2 - 'agora vamos separar os bocadinhos (ou sílabas)
fortes das fracas!’" (2)

Palavra-sílaba-palavra
1.1. Desenvolvimento da actividade

Depois do trabalho em grupo.
Frases a partir das palavras.
Dicção, treino intrassilábico e jogo coral.
(1) Freitas, Mª João e outras. (2007). Conhecimento da Língua. Desenvolver a Consciência Fonológica (p. 65). DGIDC. Lisboa.
(2) Freitas, Mª João e outras. (2007). Conhecimento da Língua. Desenvolver a Consciência Fonológica (p. 65). DGIDC. Lisboa.
(3) Freitas, Mª João e outras. (2007) Conhecimento da Língua. Desenvolver a Consciência Fonológica (p. 10). DGIDC. Lisboa.
Palavra-Divisão Silábica-PalavraEis a minha primeira experiência, mais a sério em Ppt; não consegui ainda alojar com animação - mesmo assim, espero que seja útil para alguém. Apesar de os meus alunos serem do 1º ano, talvez ainda trabalhe estas noções, este ano, com os mais avançados. Se não gostardes, não sejais maus - poupai as pedrinhas. Lá chegarei.... No "more" há opção para imprimir.
Grupos Nom e Ver
"Os cravinhos"; vídeo com base em figuras feitas por crianças. Recomendando para o 1º ano. Bom para motivar a compreensão e expressão oral e não só. Bastante interessante ao nível plástico, possuindo simplicidade. A ver.
Outro vídeo mais indicado para o 4º ano. Bom para abordar no âmbito da "História de Portugal"
Recorda-o não só nos dias de festa from Videoteca Municipal de Lisboa on Vimeo.
Conforme tenho defendido, é importante divulgar poesia dos clássicos. Têm produção suficiente para darmos a ler textos de qualidade e salvaguardar a Língua, Literatura e Cultura Portuguesas. Seguem: poema, álbum de imagens para os alunos conhecerem o rosto do autor e o texto dito pela minha voz. (Peço desculpa pelas condições técnias da gravação serem diminutas.)
No Comboio Descendente
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada…
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns colados para os outros
E os outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela…
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão…
Fernando Pessoa
Ouvir
1ª Proposta
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